quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

O frio da noite, e eu triste

O frio da noite, e eu triste.
Pões uma manta por cima de nós
mas o meu espírito voou para longe;
o meu corpo jaz abandonado.

Perderam-se as vezes em que
o meu sangue se gelou
e fiquei sem te ouvir.
Hoje, porém,
pela última vez
fui embora...

Largas semanas se passaram
do dia em que te perdi
ou apenas alguns momentos sem sair de casa;
e o tempo passou devagar.

Foge-me a lembrança do tempo vivido;
da doce recordação de estar (simplesmente) acordado

O tempo voa devagar,
quase que plana
- sinto-o aqui
perto de mim.
O tempo voa devagar
mas não lhe posso fugir
nem se também voar;
nem se voar num avião a jato,
a jato de tinta
espalhada sobre mim.

Os conselhos acabaram
deixei-os para trás
e fui para longe
sem me despedir
Parti,
não sei explicar...
As flores murcharam à janela
presas nos vasos.

setembro, 1996

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