sábado, 20 de outubro de 2012

Mima Fatáxa (José de Almada Negreiros)

MIMA-FATÁXA - Sinfonia Cosmopolita
E Apologia do Triângulo Feminino

Dedicatória
A ti para que não julgues
Que a dedico a outra.





Aquela que ri nos relâmpagos
e que me beija nas imagens dos espelhos:
Aquela cujo xaile embrulha o Sol quando cai no chão,
e que tem as mãos flexíveis como as ligas a meio das coxas;
Aquela que tem a forma do faz calar,
Aquela que fala co’o andar,
Aquela que sabe mentir,
Aquela cujo olhar dá Ilusão
e que tem na voz o timbre dos repuxos;
A dos olhos transparentes da Distância a deformar-se em Vício que regressa;
Aquela que se sente nos joelhos;
Celle qui est de plus en plus danseuse depuis Dégas,
Duncan dansant tout nue la Marche Militaire:
Attention!
:Il n’y a qu’une Ville: PARIS
C’est là Aut. Qu’Elle vive partout!
A do sangue verde-esmeralda
essa, sim, quero eu cantar!

Zunem pandeiros na ferrugem dos aros
As peneiras de cobre já peneiraram o i dos bordados
e as faúlhas da tenda são em latão o rasto da Luz
Tis (=) petulantes de cegonhas cinzentas desfazem-se lentos em linhas azuis.
Os beijos acodem dali acordados d’esperar os risos
Passos esguios desfazem-se lentos em frio do Norte
Estóicos volteiam arcos voltaicos adormecidos em plintos de brim,
Estáticos riem ângulos agudos funâmbulos tortos num cobertor.

Khaki
Zomba
Mofa
e range
a pandeireta fofa.
Pára o pulso no giro d’Ela solta
Fluxo e refluxo dos boulevards acesos na pandeireta ruiva.

Ópera - 7 h. et. 50: Thaïs

Jóias e brincos
Tantos e tontos
tintos de íman
toldam-se em lumes de perderneiras.
Íris-brasa d’arara no engaste.
Pirilampos de baile às listas militares de trintanário bric-à-brac.

Gestos-cores molhados de despidas n’água nua da piscina embaloiçada.
Faunos que lutam co’um céu transparente demais.
Estoiro da Saudade no último acto dos poentes.
Mar.
Rainhas embalsamadasd a descer pró
Mar
Zomba
Mofa
e tine
A pandeireta bamba e bumba na pandeireta.
Derruem-se claustros do medo asfixiadamente
Surge a Louca dos espeques
e a salamandra passa pra cisterna plos degraus do sono.
Tâmara lâmpada atarantada d’arara
Tarântola exdrúxula bruxoleante
Abóbada côncava do tímbalo diáfano onde descansa o bombo.
Pirilampo-hélice do bambu banho por onde desce o relâmpago moribundo à banda
Túmulo oco de alaúde e flauta diluído em Liz
Labirinto anil de absinto flâmula
Timbre cilíndrico de Abanindra (Índia)
Eufórbia régia aberta em leque na lanterna mágica
Boceta de Pandora
Alta andor de orar a fleuma
Enigma ígneo do píncaro íman da salamandra
Cirius-lúmen
Escudo heráldico retintamente ágata megalômana
Título ímpar da Única
Amén

O nó cego a doer em paixão tisnada

Temperamento-luto da preguiçosa
Título romântico de Versos sentimentais
Raiva de não ter a idéia de resolver
Espasmo-indiferença das lutas de não ganhar
Sonolência perversa das vidas que não calham.

Arrelias atropeladas nas posições do respirar
Santas estâncias pra compensar o tempo
Santa-Bárbara faz parar trovões
Ave-Marias nos dedais de prata
Agulhas, pomadas novelos...
Labirintos elegantes de filigrama em azul simples da inicial sozinha
Pálido clima impresso asilo
Requintes bordados a Nossa-Senhora-Mulher
Frágil esfera da Maternidade-Cetim
:É um rapaz! Deixem-na dormir.

Devoção dos interiores
Bendito seja Maeterlink!
Vida intensa da bagatela aconchegada
A história do Avô marechal
Valor estimativo
Recordações da família.

Cicatriz realce de ar Venal-bérbere
Vrilhas azuis
Olheiras postiças
Artifício cobiça da degenerada
Repentes-medium d’improvisar o mito
Brônzea tine em faces duplas a pandeireta fofa.

Zomba
Zomba
e tine
A pandeireta bamba no cotovelo roto.

Voa o xaile de um lado numa volta de nota alta
Reverência de estar no céu d’olhos pasmados no fundo.
O Pajem recebe prendas!
Invejas da Princezita
É indecente dizer-se Puta (bis e depois o coro)
A estouvanada
A indiscreta
A leviana
Problema da Pederastia!

Os Ângulos agudos abrem-se passivamente na magreza de gastos.
Mórbidos secam-se os lábios esmagados contra a fantasia.
Espasmos galgam por mentiras arquivadas.
Por quem será este espasmo?
Eu já gastei a mentira d’Ela!

Ser pornográfico às escondidas
Segredos que fazem corar:
A invertida que ama os homens e as mulheres
e que dorme com o Sol e é a Amante da Lua!
A dona dos segredos indecentes
Síntese Cosmpolita
Esperanto-Invasor!

Salve! Fornicadora do Mistério!
Hei-de cantar-te, Milionária, que me deste a Loucura pra ser a minha escrava índia
ou Salomé se eu também quisesse.
Ó erudita das paixãoes,
Ciceroe dos labirintos!

Zomba
tine
e ralha
A pandeireta choca
Zomba
Zune
e tine
A pandeireta bamba
Cacimba
Na pandeireta lata.

Vogais de clave embaciada e longa inda reais da fundação.
Quando Ela morreu não tinha dito tudo -
Nascem poetas pra Fantasia.

Hossanas e coros das invertidas mal aparecem na manhã-pecado da tentação santa.
Os vidros beijam-se em hinos da Luxúria
e a margem dança nos habitantes enigmas fluidos de formas ruivas
Zebras paradas em alfineteiras.

Cavalgada húngara desabotoada
toilette - método pra Conquista!

mima
mianja
petrouchka
magda
cleópatra
maria
nichons
ninette
{
A ELLE

Salve-Rainha
A Nave Central
O Carrilhão e os corredores de lajens
O Canapé de estofos almofadados
:As Vrilhas são copiadas!

Ditongos ricos pra ir ao ar
ou i ou ai
no meio do adro

Camurça branca de tentação
eixo, eixo, ribaldeixo

5: maria dos brincos
Primeira quadra popular

Clarins platina retinem blagues
Tilintam dogmas carrilhões
Címbalos e marimbas.

Liberta-se o Bem dos peitos pra Cavalgada
Avoluma-se a transparência em mais transparente,
-Solo verdade no oboé.

Rivancha da Loucura Capitaneada plo Gênio!
Avalanche subtil que ultrapassa o mal e o mal fica por vencer.
Salva-se o Mundo num cérebro e o resto fica por demência a servir a cruz aos braços

Aljabas
elmos e lâminas
Fulcram-se rabiças no espaço.
Valquírias hermafroditas
Tangerinas mágicas
Trenós d’Império desenrolam serpentinas pros relâmpagos da alucinação.

Bacanal do pic-nic no Zimbório
Apoteose da Luxúria
Apologia do Deboche
Viva o Pendão da Aventura!

Seleção dos exotéricos
Nuances de tisnas da Europa
Entourage do Gentleman
Wilde, Nijinski e Eu: Sacrossata melodia da Carne!

O Circo agita-se no pânico em turbilhões concêntricos
e de repente o palco desfaz-se por tamanho do Mundo.

Afilam-se pandeiros em estrondos d’aço e dinamite
Ciladas do Cinzento
Calam-se os reflexos debruços no lodo
A vida das piteiras já é só Raiva
Babel ressuscita tumultuosamente nas sardinheiras descontentes.
O desastre do tonneau!
Significado da Unidade!

-viva o homem!

Zomba
Zune
e tine
A pandeireta Zíngara
Wanda
A pandeireta russa
Monna Liza
A pandeireta zinco
Cacimba-Acetilene
A pandeireta-lata da Andaluzia
pra ir ao ar
ou i ou ai
não penses Esfinge!
Gomos de laranja a baloiçar Cavalo de Tróia!
Gincana das Vogais
Final do Poema
:Não penses Esfinge!


(Edição Luxuriante
Fenomenal colaboração do pintor
Amadeo de Sousa Cardoso

Encomenda antecipadas a Amadeo de Sousa Cardoso
27, Rue des Fleurs - Paris)

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